Categoria: Atividades

Psicanálise e Arte em Sessão – 1984 George Orwell

1984
George Orwell

Coordenadora

Maria José de Andrade Souza
Membro efetivo (IPA)
Analista didata (SPFOR)
Coordenadora do Psicanálise e Arte em sessão

Comentaristas

Irlys Barreira
Professora de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP)

Sérgio Telles
Psicanalista e escritor
Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae (São Paulo).

1984, de George Orwell, representa uma alegoria de uma sociedade inteiramente dominada pelo Estado. A observação vigilante do poder supõe uma intervenção até na linguagem.

O livro fundamenta-se na busca da interpretação única (uma só versão do passado e do presente) capaz de manter o controle sobre a vida social e individual, suscitando reflexões ao mostrar que o controle das massas através da manipulação da linguagem e do uso da mentira institucionalizada pelo Estado não se atém apenas ao totalitarismo, pois pode acontecer em regimes democráticos.

Vivemos na era das fake news, da pós-verdade, das teorias conspiratórias, do fanatismo ideológico. O que a psicanálise tem a dizer sobre isso?

No dia 29/01/2021, às 20h, pelo canal da SPFOR no YouTube, receberemos a socióloga e professora Irlys Barreira e o psicanalista e escritor Sérgio Telles. A coordenação do Psicanálise e Arte em sessão será realizada pela psicanalista Maria José de Andrade Souza.

Psicanálise & Arte em Sessão – A Poesia de Alberto Caeiro

Psicanálise & Arte em Sessão – A Poesia de Alberto Caeiro
Data: 27.11.2020 às 20h

Canal do Youtube da SPFOR

Coordenação: Maria José de Andrade Souza
Membro efetivo (IPA)
Analista didata (SPFOR)
Membro associado (SBPSP)

Convidados

Saulo Lemos
Doutor em Literatura Comparada (UFC)
Professor de Literaturas de Língua Portuguesa (FECLI-UECE)

Haydée Brito
Analista didata (SPFOR)
Doutora em ciências (USP)
Médica neonatologista (UFC)

Psicanálise & Arte em Sessão – Arte e Incerteza

Psicanálise & Arte em Sessão – Arte e Incerteza
Data: 30.10.2020 às 20h

Canal do Youtube da SPFOR

Convidadas

Ana Valeska Maia Magalhães
Mestra em Políticas Públicas. Psicóloga e psicanalista em formação pela Spfor. Bacharel em Artes Visuais.
Professora de História da Arte.

Luciana Eloy
Mestra em Artes. Bacharel em Artes Visuais. Curadora. Professora de História da Arte.

E A CRIANÇA DESCOBRIU QUE A DOR NA ALMA É MAIS PERENE QUE A DOR NO CORPO.

Lourdes Negreiros
Membro efetivo da Sociedade Psicanalítica de Fortaleza Coordenadora do Nupia
Núcleo de Psicanálise da Infância e Adolescência

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças
(Manoel de Barros)

De repente a criança de 6 anos sente seu corpo sendo constantemente invadido e persuadido a se entregar. Seu primeiro movimento seria a recusa, a repugnância, a resistência, se tudo isso não fosse inibido por um medo intenso. Entre perplexa e paralisada assiste sua infância ser roubada e se perde entre o susto e o horror.

Poderiam ser estes alguns dos sentimentos vividos pela menina que ocupou a mídia e que na própria cabeça já não sabia mais, qual lugar deveria ocupar?

Infância implica condição de dependência e cuidados, envolve confiança no adulto e na sociedade em que está inserida, solicita sentimentos ternos de amor e compreensão. Infância exige proteção.

Aos 6 anos uma menina descobre que o adulto familiar, supostamente responsável por zelar pela infância, era capaz de tripudiar sob sua fragilidade e violar sua mente de criança. E bruscamente aos 10 anos constata também, que seu corpo agora gera outra criança! Entende do modo mais triste possível que um corpo, teimosamente, é capaz de atropelar a infância e enveredar por destinos obscuros onde seus olhos de criança seriam incapazes de enxergar.

Confusão entre mente e corpo, certo e errado, verdadeiro e falso, dor e vergonha, raiva e medo ocupam sua mente.

Estamos diante de uma ação com consequências físicas e psicossociais graves que afetam a saúde e comprometem o bom desenvolvimento psíquico.

Estamos diante de um abuso sexual de criança. Abuso que culmina numa gestação indevida sem espaço no universo das capacidades infantis. Uma experiência com algumas consequências dificilmente reparáveis vividas no terreno do desenvolvimento da sexualidade.

Essas ditas experiências pela violência que impõem a um aparelho psíquico em estruturação, não encontram condições para serem digeridas. Esse momento precisa ser cuidado por adultos responsáveis que possam ajudar a metabolizar os sentimentos confusos originados a partir do ato intrusivo.

A vida de uma criança virou palco de especulações, sua história foi divulgada pela mídia e sua experiência tem sido alvo das mais variadas críticas. Sua intimidade se transformou em objeto de voyeur.

A vítima vira ré, a dor é transformada em culpa, o medo encontra eco nas incertezas que permearam os dias que antecederam o cumprimento da decisão judicial.

Parece que o abuso não parou no ato do tio. O abuso permanece dia a dia alimentado por especulações e por alguns posicionamentos radicais defendidos por uma parte da sociedade.

Sim, essa criança foi e continua sendo abusada. Ela é tratada como um adulto que deve gerar filhos e responder por seus atos. Ela é culpabilizada e inserida num status de suposta mãe que renega o filho. Não entraremos no mérito do certo ou errado, mas talvez seja imprescindível olhar de perto a desorganização que está sendo imposta ao universo mental dessa criança.

O Estatuto da infância e adolescência enfatiza: Toda criança deve crescer em um ambiente de amor, segurança e compreensão. As crianças devem ser criadas sob o cuidado dos pais, com direito a proteção especial, e a todas as facilidades e oportunidades para se desenvolver plenamente, com liberdade e dignidade. Nenhuma criança deverá será levada a fazer atividades que prejudiquem sua saúde, educação e desenvolvimento. Nenhuma criança deverá sofrer por pouco caso dos responsáveis ou do governo, nem por crueldade e exploração.

Nos últimos dias no meio da nossa já familiar pandemia do Covid, se instaura uma outra pandemia :a que propõe aniquilar a dependência e a imaturidade da infância. E quanto a nós, nesse lugar do adulto destinado a proteger a infância,  o que poderemos fazer?

Nas experiências repetidas de abuso segundo Ferenczi (1933): “as crianças sentem-se física e moralmente sem defesa, sua personalidade é ainda frágil demais para poder protestar, mesmo em pensamento, contra a força e a autoridade esmagadora do adulto que as emudecem, podendo até fazê-las perder a consciência. Mas esse medo, quando atinge seu ponto culminante, obriga-as a submeter-se automaticamente à vontade do agressor, a adivinhar o menor de seus desejos, a obedecer esquecendo-se de si mesmas, e a identificar-se totalmente com o agressor. (p. 117, grifos do autor).

A criança abusada e especialmente a criança abusada por um familiar, vivencia grande dificuldade para fazer o luto pelas etapas perdidas. Sua mente se bloqueia e a sexualidade vê-se colocada no estatuto do feio e culposo. Sua confiança no outro e no mundo são abaladas.

Muitas vezes suas emoções se congelam e ela passa a viver uma espécie de existência vazia, uma não existência. A experiência de dor psíquica inerente ao abuso pode ser recolhida, dando lugar ao ódio por si e pelo outro. E o cenário futuro pode ser cruel para si e para a sociedade. A tarefa de administrar as emoções que transitam entre a dor e a raiva, constitui uma empreitada delicada que consome muita energia e exige muito suporte.

A expectativa de reencontrar em alguém um continente psíquico seguro e de restabelecer o senso de sentido e confiança em si e no outro, dependerá do modo como se sentiu vista e compreendida (ou não compreendida). A possibilidade de ser acolhida por um adulto cuidador que se disponibilize a ajudá-la a pensar e resignificar a violência sofrida, pode ser decisiva nos destinos a serem procurados por suas emoções.

Estamos falando do estatuto daquilo que foi vivido sem ser vivenciado, aquilo que invade parte do psiquismo, mas que não pode ser compreendido. Estamos tratando do que não encontra ressonância no desejo infantil, mas que se instala em seu corpo. Falamos do que não cabe nas experiências sexuais próprias da infância porque estão contaminadas pela mente do adulto.

Como poderíamos construir um espaço de apoio e reparações? Como ajudá-la a revitalizar sua mente de criança?

Parece-nos que será preciso criarmos condições para que a menina possa diferenciar a verdade histórica, da verdade subjetiva, ajudando-a a recuperar as fronteiras entre o que é seu e o que é do outro. Há que se redirecionar a responsabilidade, a culpa e o ato violento para o lugar que lhe pertencem: a mente do abusador. Mente essa possivelmente povoada de prováveis fantasmas e impulsos destrutivos que indicam também a sua própria dor.

No âmbito de mundo interno dessa criança seus conflitos secretos estão emudecidos. A urgência em cuidar do corpo, não dá espaço para pensar. Urge fugir das ameaças, e dos julgamentos. Urge fugir dos medos e da dor.

A notícia passará, mas como terminará sua história pessoal?

Recentemente ao ser preso o abusador atua o seu derradeiro ato abusivo. Afirma que as experiências sexuais eram consensuais, ou seja, coloca o desejo e a responsabilidade pelo ocorrido, na mente da criança. E a menina vê-se agora de frente com uma nova e cruel experiência: ser alvo de julgamentos invertidos onde poderá ser colocada abusivamente no lugar do pervertido.

Ao findar o interesse transitório que essas histórias de vida costumam despertar, como ficará essa criança?

Passados alguns anos será capaz de recuperar a capacidade de confiar e amar, próprias da pulsão de vida?

Terá condições de elaborar sua dor e resignificar sua sexualidade? Em que tipo de adulto se transformará? Para onde se direcionarão os seus afetos?

Estamos diante de muitos questionamentos ainda sem respostas.

A notícia atual da menina de 10 anos é apenas mais uma entre as tantas histórias de abusos sofridas por crianças. O Brasil registrou 17 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2019 (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Em 73% dos casos, o abuso sexual ocorreu na casa da própria vítima ou do suspeito e foi cometido por pai

ou padrasto em 40% das denúncias. Segundo dados epidemiológicos (Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde junho / 2018) as meninas são as principais vítimas, principalmente dos intrafamiliares, e a idade de início dos abusos é precoce, entre os 5 e os 10 anos.

Os dados demonstram que a grande maioria dos casos somente são revelados pelo menos um ano depois do início do abuso sexual. Não se trata apenas de estatística. Estamos falando de inúmeras histórias de infâncias violentadas que muitas vezes se perdem no anonimato, no esquecimento ou na ausência de denúncia. São crianças que estão sendo privadas de cuidados essenciais para assegurar um desenvolvimento físico e psíquico saudáveis. Esse cuidado envolve assistência, apoio, empatia e a disponibilidade de tomada de decisões por parte de adultos responsáveis.

Há momentos que exigem escolhas, como diz Cecília Meireles: ou isto ou aquilo.

Neste momento estamos diante de um delicado impasse: ou escolhe-se pensar cada indivíduo no cerne da sua história e do seu desenvolvimento emocional, ou escolhe-se defender decisões padronizadas ignorando a subjetividade e as capacidades inerentes à condição de determinados momentos do psiquismo.

Mas há que lembrar que as escolhas têm consequências para a vítima e para o entorno que a rodeia. Há que lembrar que a criança desprotegida de hoje, alvo fácil de intrusões, em pouco tempo será o adulto de amanhã, capaz de agir com plena autonomia para atuar seus impulsos.

E nos confrontaremos com a realidade inquestionável implícita nos desdobramentos das decisões inerentes à: OU ISTO OU AQUILO!

Clínica Social

A Clínica Social da SPFOR, informa a sua reabertura no dia 01 de Julho de 2020. Quem desejar atendimento em psicanálise poderá se inscrever para triagem, através do link https://forms.gle/RbJ2tVKf9VZs5KK16 ou pelo telefone 85 98142.4811. Lembramos que os atendimentos serão na forma on-line até que possam retornar aos atendimentos em consultório e que é cobrado um valor por cada consulta a combinar com o analista.

A Clínica Social é um Serviço de Atendimento à Comunidade, oferecido pela SPFOR, cuja finalidade é proporcionar tratamento psicanalítico àqueles que necessitem e não dispõem de condições para investir financeiramente.

Os interessados – com idade a partir de 16 (dezesseis) anos – deverão efetuar sua inscrição preenchendo formulário abaixo. Os inscritos, farão uma entrevista de triagem e serão encaminhados para o profissional encarregado do acompanhamento psicanalítico.

A taxa da triagem é de 30,00 e será depositada ou transferida para conta do profissional que fará a triagem e que informará os dados da conta. É necessário o envio o envio do comprovante para o profissional da triagem via WhatsApp.

Informações: 85 98142 4811 | psicanalisefortaleza@gmail.com

 

NUPIA – I JORNADA CLÍNICA DE 0 A 3 ANOS – CANCELADO

CANCELADO –

A SPFOR através do Núcleo de Psicanálise da Infância e Adolescência (NUPIA), realizará no dia 18 de abril de 2020 a
I Jornada da clínica de 0 a 3 anos.
O evento ocorrerá no auditório da Torre Saúde Complexo São Mateus (Av. Santos Dumont, 5753) das 9 às 18:30.
Na oportunidade contaremos com a participação da psicanalista Alicia Lisondo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e também com a presença do Dr. Álvaro Madeiro (pediatra), da Dra. Sílvia Lemos (neurologista) e de Lourdes Negreiros psicanalista da Sociedade Psicanalítica de Fortaleza (SPFOR).
Esse evento pretende promover uma discussão sobre as possibilidades de intervenções do atendimento psicanalítico nessa fase inicial da infância assim como um diálogo interdisciplinar.

🔹Garanta sua vaga com valor especial de 1º lote!
🔹Apenas R$ 90,00
🔹Mais informações: 85 3264.7709 / 98142.4811

Inscrições através de depósito ou transferência para:
Agência: 2301 | C/C: 2843-6 | Banco Sicredi  (748)
Sociedade Psicanalítica de Fortaleza – CNPJ: 05.358.763/0001-22
A confirmação da inscrição se dará através do envio do comprovante de pagamento juntamente com o nome do participante para psicanalisefortaleza@gmail.com

 

 

 

 

NUPSE 08|02|2020 – O Sonho de Irma ou Os Fantásticos Fluidos do Dr. Fliess e a Feminilidade

Convidamos os colegas da Psicologia e Medicina para discutir, em 08 de fevereiro 2020 | sábado
Horário: 10 horas, na sede da SPFOR
Entrada Franca

O Sonho de Irma
ou
Os Fantásticos Fluidos do Dr. Fliess e a Feminilidade

Texto disponíveis em: spforpsicanalise|www.spfor.org.br
A leitura prévia é importante.

FREUD Peter Gay

O QUE QUER UMA MULHER

OS PACIENTES

Os três escrínios Freud Vol XII

Sobre os sonhos Freud 1901

 

 

Psicanálise e Arte em Sessão – Filme Coringa

Psicanálise e Arte em Sessão

Local: Livraria Cultura – Shopping RioMar
Data: 31 de janeiro 2020 – 19h
Hora: 19h00

CORINGA
Filme de Todd Phillips

Comentários

César Barreira – Coordenador Colégio de Estudos Avançados da UFC
Rosane Müller – Analista didata SPFOR e Professora UNIFOR

Entrada Franca
Contato: 3264 7709

Sinopse CORINGA
Por Rosane Müller

O filme Coringa (Joker, Estados Unidos, 2019) conta a história da transformação de Arthur Fleck, empregado como palhaço e aspirante a comediante, no vilão mestre do caos, arqui-inimigo de Batman e de como esses dois personagens se construíram vítimas, na ficção dos quadrinhos, de situações traumáticas. Arthur tem distúrbios psiquiátricos, é de uma fragilidade emocional contundente, que se vê no seu corpo magérrimo e encurvado. É uma figura que vive em torno do riso, quer fazer rir. Ele mesmo tem uma risada incontinente como um dos sintomas, risada jorro perturbador, macabro, enigmático em uma figura com verve de artista. Arthur é abusado, escarnecido e violentado, justamente, por sua fragilidade e desamparo. Mas, eis que um dia os medicamentos fornecidos pelo estado são suspensos e sem seus medicamentos, ele acaba por ir em busca de sua verdade, da verdade de sua história. Esta, de certo modo, o cura, à medida que lhe permite existir.

NUPIA – Suicídio na adolescência – 30.11.2019

O Núcleo Psicanalítico da Infância e Adolescência – NUPIA – da SPFOR, receberá Roosevelt M.S. Cassorla – Psicanalista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e do Grupo de Estudos Psicanalíticos de Campinas para trabalhar o tema: Suicídio na adolescência.

Na ocasião, discutirá aspectos atuais relacionados ao suicídio e outras condutas autodestrutivas na adolescência, como: aspectos próprios desta fase, em sua interação com o ambiente sociocultural, fatores relacionados ao “cutting”, ao bullying e às redes sociais. A adesão ao álcool, drogas, ideologias e religiões fanáticas serão também abordadas, comparando-se os fatos em culturas variadas.

Horário:  9 às 12:30
Auditório – Duets Office Towers
Data: 30.11.2019

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