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Psicanálise e Arte em Sessão on-line

No dia 25/09, Dra. Maria José de Andrade Souza (membro SPFOR) recebe Lina Schlachter e Luciana Vieira em live no Youtube (Canal SPFOR) a partir de 20h00. O evento é aberto e para participar, basta acessar nosso canal no dia e hora marcados. Contamos com a presença de todos!

Psicanálise & Arte em Sessão
Data: 25.09.2020 às 20h

Canal do Youtube da SPFOR

Convidadas
Lina Schlachter
Mestrado em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, Doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade do Tennessee, EUA e analista em formação pela Spfor

Luciana Vieira
Graduada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
Roteirista, produtora e diretora de filmes e séries em Fortaleza.

 

E A CRIANÇA DESCOBRIU QUE A DOR NA ALMA É MAIS PERENE QUE A DOR NO CORPO.

Lourdes Negreiros
Membro efetivo da Sociedade Psicanalítica de Fortaleza Coordenadora do Nupia
Núcleo de Psicanálise da Infância e Adolescência

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças
(Manoel de Barros)

De repente a criança de 6 anos sente seu corpo sendo constantemente invadido e persuadido a se entregar. Seu primeiro movimento seria a recusa, a repugnância, a resistência, se tudo isso não fosse inibido por um medo intenso. Entre perplexa e paralisada assiste sua infância ser roubada e se perde entre o susto e o horror.

Poderiam ser estes alguns dos sentimentos vividos pela menina que ocupou a mídia e que na própria cabeça já não sabia mais, qual lugar deveria ocupar?

Infância implica condição de dependência e cuidados, envolve confiança no adulto e na sociedade em que está inserida, solicita sentimentos ternos de amor e compreensão. Infância exige proteção.

Aos 6 anos uma menina descobre que o adulto familiar, supostamente responsável por zelar pela infância, era capaz de tripudiar sob sua fragilidade e violar sua mente de criança. E bruscamente aos 10 anos constata também, que seu corpo agora gera outra criança! Entende do modo mais triste possível que um corpo, teimosamente, é capaz de atropelar a infância e enveredar por destinos obscuros onde seus olhos de criança seriam incapazes de enxergar.

Confusão entre mente e corpo, certo e errado, verdadeiro e falso, dor e vergonha, raiva e medo ocupam sua mente.

Estamos diante de uma ação com consequências físicas e psicossociais graves que afetam a saúde e comprometem o bom desenvolvimento psíquico.

Estamos diante de um abuso sexual de criança. Abuso que culmina numa gestação indevida sem espaço no universo das capacidades infantis. Uma experiência com algumas consequências dificilmente reparáveis vividas no terreno do desenvolvimento da sexualidade.

Essas ditas experiências pela violência que impõem a um aparelho psíquico em estruturação, não encontram condições para serem digeridas. Esse momento precisa ser cuidado por adultos responsáveis que possam ajudar a metabolizar os sentimentos confusos originados a partir do ato intrusivo.

A vida de uma criança virou palco de especulações, sua história foi divulgada pela mídia e sua experiência tem sido alvo das mais variadas críticas. Sua intimidade se transformou em objeto de voyeur.

A vítima vira ré, a dor é transformada em culpa, o medo encontra eco nas incertezas que permearam os dias que antecederam o cumprimento da decisão judicial.

Parece que o abuso não parou no ato do tio. O abuso permanece dia a dia alimentado por especulações e por alguns posicionamentos radicais defendidos por uma parte da sociedade.

Sim, essa criança foi e continua sendo abusada. Ela é tratada como um adulto que deve gerar filhos e responder por seus atos. Ela é culpabilizada e inserida num status de suposta mãe que renega o filho. Não entraremos no mérito do certo ou errado, mas talvez seja imprescindível olhar de perto a desorganização que está sendo imposta ao universo mental dessa criança.

O Estatuto da infância e adolescência enfatiza: Toda criança deve crescer em um ambiente de amor, segurança e compreensão. As crianças devem ser criadas sob o cuidado dos pais, com direito a proteção especial, e a todas as facilidades e oportunidades para se desenvolver plenamente, com liberdade e dignidade. Nenhuma criança deverá será levada a fazer atividades que prejudiquem sua saúde, educação e desenvolvimento. Nenhuma criança deverá sofrer por pouco caso dos responsáveis ou do governo, nem por crueldade e exploração.

Nos últimos dias no meio da nossa já familiar pandemia do Covid, se instaura uma outra pandemia :a que propõe aniquilar a dependência e a imaturidade da infância. E quanto a nós, nesse lugar do adulto destinado a proteger a infância,  o que poderemos fazer?

Nas experiências repetidas de abuso segundo Ferenczi (1933): “as crianças sentem-se física e moralmente sem defesa, sua personalidade é ainda frágil demais para poder protestar, mesmo em pensamento, contra a força e a autoridade esmagadora do adulto que as emudecem, podendo até fazê-las perder a consciência. Mas esse medo, quando atinge seu ponto culminante, obriga-as a submeter-se automaticamente à vontade do agressor, a adivinhar o menor de seus desejos, a obedecer esquecendo-se de si mesmas, e a identificar-se totalmente com o agressor. (p. 117, grifos do autor).

A criança abusada e especialmente a criança abusada por um familiar, vivencia grande dificuldade para fazer o luto pelas etapas perdidas. Sua mente se bloqueia e a sexualidade vê-se colocada no estatuto do feio e culposo. Sua confiança no outro e no mundo são abaladas.

Muitas vezes suas emoções se congelam e ela passa a viver uma espécie de existência vazia, uma não existência. A experiência de dor psíquica inerente ao abuso pode ser recolhida, dando lugar ao ódio por si e pelo outro. E o cenário futuro pode ser cruel para si e para a sociedade. A tarefa de administrar as emoções que transitam entre a dor e a raiva, constitui uma empreitada delicada que consome muita energia e exige muito suporte.

A expectativa de reencontrar em alguém um continente psíquico seguro e de restabelecer o senso de sentido e confiança em si e no outro, dependerá do modo como se sentiu vista e compreendida (ou não compreendida). A possibilidade de ser acolhida por um adulto cuidador que se disponibilize a ajudá-la a pensar e resignificar a violência sofrida, pode ser decisiva nos destinos a serem procurados por suas emoções.

Estamos falando do estatuto daquilo que foi vivido sem ser vivenciado, aquilo que invade parte do psiquismo, mas que não pode ser compreendido. Estamos tratando do que não encontra ressonância no desejo infantil, mas que se instala em seu corpo. Falamos do que não cabe nas experiências sexuais próprias da infância porque estão contaminadas pela mente do adulto.

Como poderíamos construir um espaço de apoio e reparações? Como ajudá-la a revitalizar sua mente de criança?

Parece-nos que será preciso criarmos condições para que a menina possa diferenciar a verdade histórica, da verdade subjetiva, ajudando-a a recuperar as fronteiras entre o que é seu e o que é do outro. Há que se redirecionar a responsabilidade, a culpa e o ato violento para o lugar que lhe pertencem: a mente do abusador. Mente essa possivelmente povoada de prováveis fantasmas e impulsos destrutivos que indicam também a sua própria dor.

No âmbito de mundo interno dessa criança seus conflitos secretos estão emudecidos. A urgência em cuidar do corpo, não dá espaço para pensar. Urge fugir das ameaças, e dos julgamentos. Urge fugir dos medos e da dor.

A notícia passará, mas como terminará sua história pessoal?

Recentemente ao ser preso o abusador atua o seu derradeiro ato abusivo. Afirma que as experiências sexuais eram consensuais, ou seja, coloca o desejo e a responsabilidade pelo ocorrido, na mente da criança. E a menina vê-se agora de frente com uma nova e cruel experiência: ser alvo de julgamentos invertidos onde poderá ser colocada abusivamente no lugar do pervertido.

Ao findar o interesse transitório que essas histórias de vida costumam despertar, como ficará essa criança?

Passados alguns anos será capaz de recuperar a capacidade de confiar e amar, próprias da pulsão de vida?

Terá condições de elaborar sua dor e resignificar sua sexualidade? Em que tipo de adulto se transformará? Para onde se direcionarão os seus afetos?

Estamos diante de muitos questionamentos ainda sem respostas.

A notícia atual da menina de 10 anos é apenas mais uma entre as tantas histórias de abusos sofridas por crianças. O Brasil registrou 17 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2019 (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Em 73% dos casos, o abuso sexual ocorreu na casa da própria vítima ou do suspeito e foi cometido por pai

ou padrasto em 40% das denúncias. Segundo dados epidemiológicos (Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde junho / 2018) as meninas são as principais vítimas, principalmente dos intrafamiliares, e a idade de início dos abusos é precoce, entre os 5 e os 10 anos.

Os dados demonstram que a grande maioria dos casos somente são revelados pelo menos um ano depois do início do abuso sexual. Não se trata apenas de estatística. Estamos falando de inúmeras histórias de infâncias violentadas que muitas vezes se perdem no anonimato, no esquecimento ou na ausência de denúncia. São crianças que estão sendo privadas de cuidados essenciais para assegurar um desenvolvimento físico e psíquico saudáveis. Esse cuidado envolve assistência, apoio, empatia e a disponibilidade de tomada de decisões por parte de adultos responsáveis.

Há momentos que exigem escolhas, como diz Cecília Meireles: ou isto ou aquilo.

Neste momento estamos diante de um delicado impasse: ou escolhe-se pensar cada indivíduo no cerne da sua história e do seu desenvolvimento emocional, ou escolhe-se defender decisões padronizadas ignorando a subjetividade e as capacidades inerentes à condição de determinados momentos do psiquismo.

Mas há que lembrar que as escolhas têm consequências para a vítima e para o entorno que a rodeia. Há que lembrar que a criança desprotegida de hoje, alvo fácil de intrusões, em pouco tempo será o adulto de amanhã, capaz de agir com plena autonomia para atuar seus impulsos.

E nos confrontaremos com a realidade inquestionável implícita nos desdobramentos das decisões inerentes à: OU ISTO OU AQUILO!

Clínica Social

A Clínica Social da SPFOR, informa a sua reabertura no dia 01 de Julho de 2020. Quem desejar atendimento em psicanálise poderá se inscrever para triagem, através do link https://forms.gle/RbJ2tVKf9VZs5KK16 ou pelo telefone 85 98142.4811. Lembramos que os atendimentos serão na forma on-line até que possam retornar aos atendimentos em consultório e que é cobrado um valor por cada consulta a combinar com o analista.

A Clínica Social é um Serviço de Atendimento à Comunidade, oferecido pela SPFOR, cuja finalidade é proporcionar tratamento psicanalítico àqueles que necessitem e não dispõem de condições para investir financeiramente.

Os interessados – com idade a partir de 16 (dezesseis) anos – deverão efetuar sua inscrição preenchendo formulário abaixo. Os inscritos, farão uma entrevista de triagem e serão encaminhados para o profissional encarregado do acompanhamento psicanalítico.

A taxa da triagem é de 30,00 e será depositada ou transferida para conta do profissional que fará a triagem e que informará os dados da conta. É necessário o envio o envio do comprovante para o profissional da triagem via WhatsApp.

Informações: 85 98142 4811 | psicanalisefortaleza@gmail.com

 

E as crianças? Conversa com os pais em tempos de pandemia

Por Lourdes Negreiros

Estamos vivendo um momento de muitos desafios nos últimos meses. Abruptamente fomos obrigados a nos recolher e restringir nossos relacionamentos. De repente a casa tornou-se o único lugar onde podemos estar em segurança. Nossos hábitos mudaram e várias incertezas invadiram nossa cabeça. Mas somos adultos e bem ou mal, dispomos de recursos mais maduros para tentar compreender e manejar com as ansiedades que marcam esse período.

E como ficam as crianças no meio dessa estória? O que estaria se passando em suas cabeças diante de tantas mudanças?

Por que não vou mais pra escola? Por que não posso abraçar meus avós?
Por que não desço para brincar com meus amigos? Por que lavar tanto as mãos? Para que essa máscara?
São muitos os questionamentos que podem estar desassossegando as crianças diante das várias mudanças de hábitos que foram implantadas em sua rotina repentinamente. Diante deste cenário os pais estão mobilizando esforços no intuito de dar esclarecimentos e apoio aos filhos o que não tem sido tarefa fácil. A rotina dos adultos também sofreu muitas alterações e a demanda tem sido cansativa em meio às outras tarefas que precisaram assumir.

Neste sentido vamos refletir sobre alguns aspectos que podem ajudar nesse cuidado com as crianças.

• Diante do cenário atual as crianças podem apresentar mudanças em seu comportamento, regredindo a períodos que já haviam sido superados: alterações no sono, na alimentação, no controle dos esfíncteres são reações possíveis de serem observadas. Algumas poderão ter oscilações constantes de humor, agitação, irritabilidade, e agressividade. Outras poderão se mostrar mais sensíveis e inseguras solicitando por exemplo dormir no quarto dos pais. Cada caso deve ser olhado de modo individualizado de acordo com a idade e as características da criança e de sua relação com os pais.
O importante é termos ciência de que essa é possivelmente, uma reação temporária diante das ameaças que atropelaram sua rotina. Vale lembrar que além da perda do convívio com a professora e com os amigos da escola, o espaço físico destinado às crianças ficou restrito à área de apartamentos, limitando seus movimentos e sua atividade lúdica.
Tentar empatizar com os sentimentos das crianças e tolerar as possíveis instabilidades desse momento seria um modo de acolher suas angustias e restaurar sua segurança.

• E importante construir um ambiente onde as crianças se sintam à vontade para fazer perguntas e expressar suas dúvidas e inquietações. Crianças pequenas apresentam recursos limitados para comunicar seus sentimentos pela palavra, mas, acompanhando seus hábitos e alterações de humor, podemos ir criando um espaço onde possa se expressar através de desenhos, contação de estórias, ou jogos. Através do brincar a criança revela suas emoções e encontra capacidade de elabora-las. Enquanto a criança brinca vivencia seus medos como se estivesse no controle da situação o que auxilia no manejo dos mesmos. É essencial que fiquemos atentos também às possíveis alterações nos hábitos alimentares, no controle dos esfíncteres ou em expressões de somatização já que o corpo é uma das vias de comunicação mais efetivas no que diz respeito ao estado emocional da criança. Desse modo dificuldades como recusa ou voracidade para se alimentar, enurese, constipações, estados febris, poderão ocorrer como forma de expressão de suas ansiedades.

As crianças maiores captam de modo mais refinado o cenário de insegurança instalado na atualidade e necessitam de um canal mais direto para esclarecer suas dúvidas.

Torna-se necessário escuta-las e responder às suas perguntas com clareza e verdade. As vezes omitimos realidades deixando-as de fora do que está acontecendo diante de seus olhos.Com essa postura estamos desqualificando suas capacidades e contribuindo para que fiquem à mercê de incontroláveis fantasias.

Aquilo que pode ser conversado tem uma dimensão bem mais digerível para a mente do que fatos ocultos, que assumem a condição de coisas perigosas sobre as quais não se pode falar. Os não ditos, os segredos que negam fatos inquestionáveis, privam as crianças do enfrentamento da realidade podendo gerar dificuldades na promoção de um diálogo aberto com os pais.

•O desenvolvimento emocional necessita do enfrentamento de experiências que incluam algumas faltas ou frustrações. Não podemos prover tudo ou proteger os filhos de várias adversidades que encontrarão, pois do contrário crescerão indefesos e sem recursos para lidar com os obstáculos naturais que encontrarão pela vida. Ou seja: por mais dura que seja uma realidade precisamos ajudar as crianças a nomeá-las e enfrentá-las de acordo com sua maturidade. Elas merecem respostas honestas sobre o que está acontecendo ao seu redor; respostas encaminhadas através de uma linguagem que respeite a necessidade apropriada de cada idade.

•No momento atual é saudável informá-las sobre o vírus e seu risco de contágio assim como sobre as medidas que estão sendo tomadas para combate-lo. Elas devem ser conscientizadas dos cuidados que todos estamos tomando para nos proteger e proteger os outros. Os adultos devem tranquilizar as crianças, compartilhando que a situação pode ser tediosa ou assustadora por algum tempo, mas que acatar as regras ajuda a manter todo mundo em segurança. É essencial que possamos lhes assegurar que é natural sentir medos e que todos sentimos medos quando estamos inseguros. Negar ou minimizar os medos faz com que a criança pense que há algo de errado com ela, que seus sentimentos são inadequados. Na medida em que ela entende que suas emoções são reconhecidas e validadas, pode ir gradativamente encontrando saídas para elaborá-las. O que contribui para diminuir a ansiedade é ir mostrando para a criança que ela pode fazer algo a respeito de seus medos. Conversar sobre o medo do vírus em alguns momentos pode ser a alternativa para lidar com as coisas que estão fora de seu controle. O essencial é que percebam que os pais estarão sempre receptivos para escutá-las.

•A situação de isolamento em que estamos inseridos (apesar dos infortúnios) pode ser aproveitada como uma oportunidade para estreitar o relacionamento com os filhos e participar de modo mais íntimo de suas atividades. Nos últimos tempos as prioridades com as demandas profissionais estão minando os momentos de intimidade e compartilhamento de experiências dos pais com os filhos o que resulta em distanciamentos emocionais que restringem as trocas afetivas entre ambos. Cada família poderá encontrar de modo individualizado suas alternativas para um bom aproveitamento dessa convivência intensa com os filhos na atual época de isolamento social.

•Muita informação e imagens perturbadoras estão chegando por todos os lugares e, parece que o vírus está indomável e próximo de atingir todas as famílias. Se os adultos não estão se sentindo seguros, a sensação não é diferente para as crianças. Vale ressaltar que ao mesmo tempo que elas precisam receber informações, devemos cuidar para que não tenham acesso a noticiários que divulgam dados que estariam além de sua capacidade de compreensão. Para as crianças muitas vezes é difícil distinguir entre as imagens na tela e sua realidade pessoal. No meio de tantos barulhos ameaçadores é importante, informar que os adultos estão cuidando da situação e estudando maneiras de combater o vírus. O momento atual oferece também uma oportunidade para construirmos um diálogo construtivo sobre a responsabilidade coletiva da humanidade.

•Toda criança necessita ser cuidada através de uma rotina de hábitos estável. A chegada da quarentena provocou rupturas na rotina escolar, socialização, convívio com os pais e atividade lúdica. Um esquema de horários regulares de atividades promove segurança e organiza emocionalmente as crianças. O desejável é manter as rotinas regulares o máximo possível, especialmente no que diz respeito à alimentação e horas de dormir. A criança se organiza no ambiente através da rotina. A rotina a sustenta e tranquiliza já que aponta uma certa previsibilidade dos acontecimentos, fator essencial, para o desenvolvimento de um sentimento de segurança no mundo.

• As crianças buscam referências na atitude dos adultos. Sua educação acontece por meio do que falamos, dos valores que transmitimos, mas, sobretudo a partir das nossas atitudes. O que fazemos, e autorizamos que aconteça conosco, será um veículo importante para a construção de suas referências e reações. Mas nenhum pai precisa perseguir um ideal de perfeição. Todos estão sujeitos a falhas e nenhuma criança necessita de pais perfeitos. O que a criança espera é poder contar com sua disponibilidade e cuidado afetivo e as possíveis falhas nesse encontro fazem parte das experiências de frustação necessárias para o seu crescimento emocional.

•Por conta da suspensão das aulas parece estar havendo um excesso de preocupação com a recuperação dos conteúdos escolares. Neste sentido precisamos ficar atentos para que a casa não se transforme num lugar escolarizado e didatizado marcado por excessivas pressões nas relações pais-filhos. A oferta de aulas on line pelas escolas, deve ser vista como um espaço para resguardar uma certa continuidade nas atividades pedagógicas, mas, não podemos minimizar as inúmeras dificuldades encontradas por filhos e pais para dar conta desta tarefa. As aulas online são mais cansativas, e a disponibilidade mental das crianças para um aprendizado sistematizado através de vias tecnológicas, vai depender de inúmeros fatores incluindo seu estado emocional do momento. Certamente findado o período de isolamento o calendário escolar deve ser reorganizado visando retomar os conteúdos perdidos.
Concluo essa conversa compartilhando que, como humanos que somos, tememos o fim do mundo. E quando somos invadidos por uma pandemia ficamos andando às tontas como diz o poeta, assustados com a ideia de fim: fim dos encontros, fim dos abraços, fim das certezas, fim da nossa ilusão de onipotência, fim do mundo. Mas também como humanos que somos, temos a capacidade de pensar, criar, e nos reinventar diante das ameaças. Temos a condição de enxergar que em cada ideia de fim de mundo que nos ronda há sempre uma bela oportunidade de crescer.
Deixo vocês com a poesia de Mario Quintana.

A gente não sabia
A gente ainda não sabia que a Terra era redonda.
E pensava-se que nalgum lugar, muito longe, Deveria haver num velho poste uma tabuleta qualquer— uma tabuleta meio torta e onde se lia, em letras rústicas: FIM DO MUNDO.
Depois nos ensinaram que o mundo não tem fim.
E não havia remédio senão irmos andando às tontas
Como formigas na casca de uma laranja.
Como era possível, como era possível, meu Deus, Viver naquela confusão?
Foi por isso que estabelecemos uma porção de fins de mundo…
(A gente não sabia/Mario Quintana)

Lourdes Negreiros
Psicanalista/membro efetivo da Sociedade Psicanalítica de Fortaleza – SPFOR
Coordenadora do NUPIA – Núcleo de Psicanálise da Infância e Adolescência – SPFOR

NUPIA – I JORNADA CLÍNICA DE 0 A 3 ANOS – CANCELADO

CANCELADO –

A SPFOR através do Núcleo de Psicanálise da Infância e Adolescência (NUPIA), realizará no dia 18 de abril de 2020 a
I Jornada da clínica de 0 a 3 anos.
O evento ocorrerá no auditório da Torre Saúde Complexo São Mateus (Av. Santos Dumont, 5753) das 9 às 18:30.
Na oportunidade contaremos com a participação da psicanalista Alicia Lisondo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e também com a presença do Dr. Álvaro Madeiro (pediatra), da Dra. Sílvia Lemos (neurologista) e de Lourdes Negreiros psicanalista da Sociedade Psicanalítica de Fortaleza (SPFOR).
Esse evento pretende promover uma discussão sobre as possibilidades de intervenções do atendimento psicanalítico nessa fase inicial da infância assim como um diálogo interdisciplinar.

🔹Garanta sua vaga com valor especial de 1º lote!
🔹Apenas R$ 90,00
🔹Mais informações: 85 3264.7709 / 98142.4811

Inscrições através de depósito ou transferência para:
Agência: 2301 | C/C: 2843-6 | Banco Sicredi  (748)
Sociedade Psicanalítica de Fortaleza – CNPJ: 05.358.763/0001-22
A confirmação da inscrição se dará através do envio do comprovante de pagamento juntamente com o nome do participante para psicanalisefortaleza@gmail.com

 

 

 

 

Reunião Científica – Atividade interna

Reunião Científica (atividade restrita aos membros da SPFOR)

Prezados colegas,

Estaremos iniciando nossas reuniões científicas no dia 10/02/2020 quando teremos a discussão do tema.

VAMOS CONVERSAR SOBRE A TRANSFERÊNCIA ERÓTICA?

Visando enriquecer nossa discussão encaminharemos em anexos dois textos que estarão disponíveis para nossa leitura.                  Na oportunidade desenvolveremos uma conversa linear sem a definição de um apresentador principal. Faremos uma troca de reflexões embasada em nossa pratica clínica.

Aguardamos a participação de todos.

Atenciosamente

Comissão Científica

 

NUPSE 08|02|2020 – O Sonho de Irma ou Os Fantásticos Fluidos do Dr. Fliess e a Feminilidade

Convidamos os colegas da Psicologia e Medicina para discutir, em 08 de fevereiro 2020 | sábado
Horário: 10 horas, na sede da SPFOR
Entrada Franca

O Sonho de Irma
ou
Os Fantásticos Fluidos do Dr. Fliess e a Feminilidade

Texto disponíveis em: spforpsicanalise|www.spfor.org.br
A leitura prévia é importante.

FREUD Peter Gay

O QUE QUER UMA MULHER

OS PACIENTES

Os três escrínios Freud Vol XII

Sobre os sonhos Freud 1901

 

 

Psicanálise e Arte em Sessão – Filme Coringa

Psicanálise e Arte em Sessão

Local: Livraria Cultura – Shopping RioMar
Data: 31 de janeiro 2020 – 19h
Hora: 19h00

CORINGA
Filme de Todd Phillips

Comentários

César Barreira – Coordenador Colégio de Estudos Avançados da UFC
Rosane Müller – Analista didata SPFOR e Professora UNIFOR

Entrada Franca
Contato: 3264 7709

Sinopse CORINGA
Por Rosane Müller

O filme Coringa (Joker, Estados Unidos, 2019) conta a história da transformação de Arthur Fleck, empregado como palhaço e aspirante a comediante, no vilão mestre do caos, arqui-inimigo de Batman e de como esses dois personagens se construíram vítimas, na ficção dos quadrinhos, de situações traumáticas. Arthur tem distúrbios psiquiátricos, é de uma fragilidade emocional contundente, que se vê no seu corpo magérrimo e encurvado. É uma figura que vive em torno do riso, quer fazer rir. Ele mesmo tem uma risada incontinente como um dos sintomas, risada jorro perturbador, macabro, enigmático em uma figura com verve de artista. Arthur é abusado, escarnecido e violentado, justamente, por sua fragilidade e desamparo. Mas, eis que um dia os medicamentos fornecidos pelo estado são suspensos e sem seus medicamentos, ele acaba por ir em busca de sua verdade, da verdade de sua história. Esta, de certo modo, o cura, à medida que lhe permite existir.

NUPIA – Suicídio na adolescência – 30.11.2019

O Núcleo Psicanalítico da Infância e Adolescência – NUPIA – da SPFOR, receberá Roosevelt M.S. Cassorla – Psicanalista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e do Grupo de Estudos Psicanalíticos de Campinas para trabalhar o tema: Suicídio na adolescência.

Na ocasião, discutirá aspectos atuais relacionados ao suicídio e outras condutas autodestrutivas na adolescência, como: aspectos próprios desta fase, em sua interação com o ambiente sociocultural, fatores relacionados ao “cutting”, ao bullying e às redes sociais. A adesão ao álcool, drogas, ideologias e religiões fanáticas serão também abordadas, comparando-se os fatos em culturas variadas.

Horário:  9 às 12:30
Auditório – Duets Office Towers
Data: 30.11.2019

A imagem pode conter: 3 pessoas, texto

Psicanálise e Arte em Sessão on-line

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